Porto do Mangue (RN) – Uma ideia nascida dentro da sala de aula está transformando a realidade de pescadores artesanais e projetando o nome do litoral potiguar para o mundo. O projeto Pesqueiro Sustentável, desenvolvido por estudantes da Escola Estadual Professora Josélia de Souza Silva, no município de Porto do Mangue, conquistou reconhecimento nacional ao vencer o Desafio Liga Jovem e passou a representar o Brasil em eventos internacionais de inovação e sustentabilidade.
A iniciativa surgiu a partir da observação dos próprios alunos sobre as dificuldades enfrentadas pelos pescadores da comunidade, especialmente na captura da lagosta, uma das principais atividades econômicas da região. O grupo identificou que os modelos tradicionais de pesqueiros, além de caros, geravam impactos ambientais e nem sempre atendiam às normas exigidas pelos órgãos fiscalizadores.

A solução encontrada foi transformar a madeira de algaroba — espécie considerada invasora no Nordeste — em um modelo de pesqueiro mais acessível, resistente e ambientalmente responsável. Enquanto um equipamento convencional pode custar até R$ 138, a versão sustentável desenvolvida pelos estudantes tem custo médio de R$ 40, reduzindo significativamente as despesas para os trabalhadores do mar.
Além da economia, o projeto apresenta um diferencial ambiental importante: o material utilizado se degrada naturalmente após o período de uso, reduzindo o impacto no fundo do mar e contribuindo para a preservação do ecossistema marinho. Outro ponto destacado pelos idealizadores é que o modelo ajuda a evitar a captura de lagostas fora do tamanho permitido, colaborando para o respeito ao período reprodutivo da espécie.

O reconhecimento veio após a participação no Desafio Liga Jovem, programa promovido pelo Sebrae RN, que incentiva estudantes a desenvolverem soluções inovadoras para problemas reais de suas comunidades. A vitória abriu portas para apresentações em eventos de alcance internacional, ampliando a visibilidade do projeto e fortalecendo o protagonismo juvenil potiguar.
Para o Sebrae, iniciativas como essa mostram o potencial transformador da educação empreendedora quando conectada à realidade local. Ao estimular jovens a pensarem soluções sustentáveis, a instituição contribui não apenas para a formação profissional, mas também para o desenvolvimento socioeconômico dos municípios.
O caso do Pesqueiro Sustentável reforça que inovação não depende apenas de grandes centros urbanos. Do interior do Rio Grande do Norte, estudantes provaram que é possível unir conhecimento, consciência ambiental e impacto social, levando o nome de Porto do Mangue ao cenário internacional e inspirando uma nova geração de empreendedores comprometidos com o futuro do planeta.






