Alerta Para o RN: O Setor Canavieiro Enfrenta Fase Crítica e Lideranças Pedem Reação Imediata

O setor canavieiro do Rio Grande do Norte atravessa um dos períodos mais delicados de sua história recente. A crise, que já afeta produtores, trabalhadores rurais e indústrias, avança de forma silenciosa e preocupa lideranças da cadeia sucroenergética, que veem riscos reais para a economia de vários municípios do estado.

Enquanto Pernambuco transformou o tema em pauta pública, mobilizando audiências e articulando soluções emergenciais, especialistas observam que, no RN, o debate ainda ocorre de forma mais restrita. Para quem vive diretamente da atividade, esse silêncio amplia a sensação de urgência.

Entre as vozes que acompanham o cenário com preocupação está Eduardo Borba, produtor e vice-presidente da Asplan-RN.  Ele  afirma que o momento exige atenção imediata.

Segundo Borba, a imprevisibilidade pesa especialmente sobre os pequenos e médios fornecedores, que já operam com margens apertadas. Ele ressalta que o produtor rural não busca privilégios:

“O que se pede é o básico: condições para continuar produzindo.”

Para o dirigente, a estabilidade de regras, rapidez em decisões e sensibilidade às dificuldades do campo são pontos essenciais. Borba observa que não se trata de transferir responsabilidades, mas de reconhecer que demoras e indefinições podem comprometer a próxima safra.

“O Estado não precisa resolver tudo. Só precisa assegurar condições mínimas de estabilidade para quem está no campo”, afirma.

 

O posicionamento de Guilherme Saldanha Secretário de Agricultura do Estado.

Procurado pela reportagem, o secretário de Agricultura do RN, Guilherme Saldanha, confirmou que a situação é monitorada atentamente pela pasta e destacou que o desafio enfrentado pelo setor é influenciado sobretudo por fatores externos.

De acordo com Guilherme Saldanha, os preços internacionais do açúcar caíram significativamente devido à superoferta global, afetando diretamente os produtores potiguares:

“Estamos atravessando um momento de preços muito baixos, especialmente do açúcar, por causa da superoferta mundial. Isso tem prejudicado nossos produtores, assim como tem ocorrido em várias regiões do Brasil.”

Embora reconheça a gravidade do cenário, o secretário aponta que o segmento do etanol pode apresentar alguma melhora, devido ao aumento da participação do álcool na composição da gasolina, o que tende a criar novas oportunidades comerciais.

Saldanha também lembrou que a agricultura é especialmente vulnerável a oscilações de mercado e fatores climáticos:

“Infelizmente, a agricultura passa por esse tipo de crise. E ainda mais no caso da cana, que não permite estocagem prolongada.”

 

 

Um momento decisivo para a cadeia produtiva

Economistas e representantes do setor afirmam que o diálogo entre governo, fornecedores e indústrias será determinante para evitar prejuízos maiores. O exemplo de Pernambuco — onde associações e autoridades se uniram para debater medidas emergenciais — é citado como referência de organização e mobilização.

Segundo lideranças canavieiras, ainda há tempo para o Rio Grande do Norte construir soluções conjuntas e garantir condições mínimas de estabilidade para a próxima safra, mas a janela de reação está ficando curta.

O que se destaca, entre produtores e especialistas, é uma mensagem unificada: o setor canavieiro potiguar precisa ser ouvido, e com urgência. A continuidade de uma cadeia produtiva histórica e essencial para a economia rural do estado depende disso.

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