Açude Itans: quase seco, reservatório histórico de Caicó enfrenta 16 anos sem transbordar

Construído no início do século 20, o Açude Itans é um marco na história de Caicó, no Seridó potiguar. Inaugurado em 3 de fevereiro de 1936, o reservatório foi idealizado para amenizar os impactos das secas severas que assolavam o semiárido nordestino. Com capacidade original de armazenamento de até 75,8 milhões de metros cúbicos de água, ele impulsionou o desenvolvimento urbano e econômico da região, que hoje abriga cerca de 70 mil habitantes.

O Itans foi construído no leito do Rio Barra Nova, por iniciativa do então ministro da Viação e Obras Públicas, José Américo de Almeida. A obra contou com intenso esforço humano, como relatado pelo escritor seridoense Francisco de Medeiros Valle, que comparou o trabalho dos operários ao movimento de formigas sob o sol escaldante. Concluído em 1935, o açude foi saudado como uma solução para a crise hídrica enfrentada pelos sertanejos.

Hoje, o cenário é de extrema preocupação. De acordo com a Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), o Itans está quase seco, operando com menos de 1% de sua capacidade. O reservatório sofre com o assoreamento, a falta de manutenção e a construção de mais de 1.200 barramentos ao longo do Rio Barra Nova, o que impede que a água das chuvas alcance o açude. Além disso, o Itans não será contemplado pelas águas da transposição do Rio São Francisco, que chegarão ao estado por outro trajeto.

Para especialistas, a solução para a crise hídrica no município pode passar por um ramal da transposição do São Francisco, que possibilitaria não apenas o abastecimento da população, mas também o desenvolvimento da agricultura e pecuária locais. Enquanto isso, os moradores de Caicó seguem depositando sua fé em 2025, na esperança de que o ano traga boas chuvas e ajude a revitalizar o reservatório.

Apesar das dificuldades, o Açude Itans permanece como um símbolo da história e da resistência do povo do Seridó. Sua recuperação é fundamental para garantir o futuro hídrico e econômico da região, enfrentando os desafios impostos pelo semiárido nordestino.

Matéria: Adeilton Silva Portal Agro Sertão

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

plugins premium WordPress